
Quando eu era pequena e usava rabo de cavalo, entrei numa dessas lojas de artigos de pechincha, com soalho que range e a cheirar a pipocas e doces baratos.
Eu estava à procura de um presente para o Dia da Mãe. Escolhi uma Rosa Vermelha de plástico. Escondi-a no meu quarto, compuz um poema para a data especial e entreguei o presente à minha Mãe.
Depois da morte dela, encontrei a Rosa, já desbotada e empoeirada, mas ainda na jarra de Cristal sobre uma bandeja de prata. A Mãe guardou-a por 30 anos.
O Natal que se seguiu à morte dela foi muito triste. Não havia a ceia tradicional preparada por ela e a mesa farta, decorada com motivos natalicios e o seu amor generoso, principalmente com os netos.
Para consolar-me o meu marido comprou-me vários presentes especiais que estavam um pouco acima das nossas posses. Depois de abrir todos, eu ainda estava muito triste.
De repente vi o presente oferecido pelo meu filho de 6 anos.
- Eu escolhi este presente sozinho! - disse ele com orgulho, estendendo o braço para mo entregar.
Dei um largo sorriso, e senti um enorme conforto ao aceitrar aquele tesouro.
Um Anjo devia ter-lhe sussurrado ao ouvido do meu filho quando ele fez aquela escolha.
Era uma Rosa Vermelha artificial.
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